Dominar a concordância verbal e nominal é um dos caminhos mais rápidos para elevar sua nota na Redação e gabaritar as questões de Linguagens no Enem e nos vestibulares. Mais do que memorizar regras rígidas de gramática, a concordância é o ajuste harmonioso que conecta verbos, sujeitos, substantivos e seus acompanhantes em gênero, número e pessoa.
Saber identificar qual palavra “manda” na oração é o segredo para detectar pegadinhas nas alternativas e construir frases impecáveis nos seus textos. Neste guia prático, você vai aprender a reconhecer a estrutura das orações, dominar os casos mais cobrados e revisar o conteúdo com exercícios comentados para chegar à prova com total segurança.
O que essa relação organiza
A concordância organiza a combinação entre as palavras de uma oração, evitando que pessoa, gênero ou número fiquem incompatíveis. Ela se divide em dois campos principais:
- Concordância verbal: ajusta o verbo ao seu sujeito em número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª);
- Concordância nominal: conecta o substantivo aos seus termos acompanhantes (adjetivos, artigos, numerais e pronomes) em gênero (masculino/feminino) e número.
Na frase “Nós estudaremos regras e exemplos complicados juntos”, temos os dois fenômenos em ação: o pronome “Nós” determina a forma do verbo “estudaremos”, enquanto o adjetivo “complicados” concorda em gênero e número com o conjunto de substantivos “regras e exemplos”.
O erro mais comum em provas é fazer a concordância “de ouvido”, guiando-se pela palavra mais próxima e ignorando o verdadeiro núcleo do termo.
Quando o verbo deve ir ao plural
O verbo deve sempre respeitar o seu sujeito, especialmente quando a oração apresenta mais de um núcleo (sujeito composto). A posição do termo e as pessoas gramaticais envolvidas definem o ajuste exigido:
Posição/Estrutura do Sujeito | Regra de Concordância | Exemplo |
Sujeito composto antes do verbo | O verbo vai obrigatoriamente para o plural. | “Maria e José conversaram até de madrugada.” |
Sujeito composto depois do verbo | O verbo pode ir ao plural ou concordar com o núcleo mais próximo. | “Conversaram Maria e José.” / “Conversou Maria e José.” |
Pessoas gramaticais diferentes | O verbo vai ao plural, seguindo a pessoa gramatical prioritária (1ª prevalece sobre 2ª e 3ª; 2ª prevalece sobre 3ª). | “Eu, tu e ele vamos à festa.” (1ª pessoa) / “Tu e ele falais outra língua?” (2ª pessoa) |

Por que a posição do sujeito importa?
Observe a diferença entre as duas frases abaixo:
- “Construção e pintura ficarão prontas amanhã.”
- “Discursaram diretor e professores.” / “Discursou diretor e professores.”
Na primeira frase, como o sujeito composto está antes do verbo (ordem direta), o plural é obrigatório. Já na segunda frase, como o verbo aparece antes dos núcleos (ordem inversa), a regra permite duas construções: o verbo no plural concordando com a soma dos elementos ou no singular concordando apenas com o primeiro núcleo (diretor).
Bancas examinadoras adoram explorar a ordem inversa para induzir o candidato a achar que uma construção correta está errada.
Como os termos nominais se ajustam
A concordância nominal ajusta adjetivos, artigos, numerais e pronomes ao substantivo correspondente. As dúvidas mais frequentes surgem quando um adjetivo se relaciona com mais de um substantivo (ou vice-versa).
Um substantivo e vários adjetivos
- Com artigo antes do último adjetivo: “A língua francesa e a italiana são encantadoras.”
- Com substantivo e artigo no plural: “As línguas francesa e italiana são encantadoras.”
Vários substantivos e um adjetivo
- Adjetivo antes dos substantivos (anteposto): concorda obrigatoriamente com o substantivo mais próximo. Exemplo: “Linda filha e bebê.”
- Adjetivo depois dos substantivos (posposto): pode concordar com o termo mais próximo ou ir para o plural (prevalecendo o masculino se houver gêneros mistos). Exemplo: “Pronúncia e vocabulário perfeitos“ ou “Pronúncia e vocabulário perfeito“.

Quais pegadinhas exigem mais cuidado
As pegadinhas mais recorrentes em provas misturam pronomes de tratamento, palavras invariáveis e verbos impessoais. A correção depende da função sintática da palavra, e não de impressões rápidas.
Pronomes de tratamento: O verbo fica sempre na 3ª pessoa, mas o adjetivo concorda com o sexo da pessoa representada.
- Incorreto: “Sr. Deputado, V. Exa. está enganada.”
- Correto: “Sr. Deputado, V. Exa. está enganado.”
“Meio” como advérbio: Quando significa “um pouco”, a palavra é invariável.
- Incorreto: “A senhora ficou meia confusa.”
- Correto: “A senhora ficou meio confusa.”
Verbo “fazer” indicando tempo decorrido: É um verbo impessoal (não tem sujeito) e deve permanecer no singular.
- Incorreto: “Fazemos muitos anos que não vimos isso.” / “Fazem muitos anos…”
- Correto: “Faz muitos anos que a equipe não vem aqui.”
Expressões superlativas (“o mais… possível”): O termo “possível” varia de acordo com o artigo que inicia a expressão.
- Incorreto: “Seus apartes eram o mais pertinentes possíveis.”
- Correto: “Seus apartes eram os mais pertinentes possíveis.”
Como resolver exercícios comentados
Analisar questões clássicas ajuda a fixar os conceitos e a entender a lógica das bancas:
Exemplo 1: Concordância com pronome de tratamento
- Frase analisada: “Sr. Deputado, V. Exa. está enganada.”
- Análise: O adjetivo deve concordar com o gênero do interlocutor (o deputado, sexo masculino). A forma adequada é: “Sr. Deputado, V. Exa. está enganado.”
Exemplo 2: Verbo impessoal e tempo decorrido
- Frase analisada: “Faz muitos anos que a equipe não vem aqui.”
- Análise: A frase está correta. O verbo fazer, ao indicar tempo transcorrido, não possui sujeito. Portanto, não vai para o plural.
Exemplo 3: Expressões superlativas
- Frase analisada: “Seus apartes eram sempre o mais pertinentes possíveis.”
- Análise: Há um erro de concordância nominal. Como a palavra “possíveis” está no plural, o artigo que antecede a expressão também deve ir para o plural: “Seus apartes eram sempre os mais pertinentes possíveis.”
Como revisar antes do vestibular
Para transformar regras gramaticais em acertos rápidos na hora da prova, siga este checklist durante seus treinos:
- Localize o sujeito: Identifique os núcleos da oração e observe se o sujeito está antes ou depois do verbo;
- Confira as pessoas gramaticais: Havendo sujeitos de pessoas diferentes, aplique a regra de prioridade (1ª > 2ª > 3ª);
- Encontre o substantivo principal: Relacione adjetivos e artigos diretamente ao termo ao qual se referem;
- Reescreva o erro: Ao encontrar uma alternativa incorreta, reescreva-a fazendo a correção e justificando a regra aplicada;
- Alterne o treino: Resolva listas que misturem concordância verbal e nominal para testar sua agilidade de diagnóstico.
Uma rotina organizada reduz a repetição mecânica e mostra qual regra ainda causa confusão. O planejamento pode seguir um cronograma de estudos para o vestibular, reservando espaço para resolver, corrigir e revisar.
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Perguntas frequentes
O que é concordância verbal?
Concordância verbal é o ajuste entre o verbo e o sujeito em pessoa e número. O verbo deve acompanhar a relação estabelecida pelo sujeito na oração.
O que é concordância nominal?
Concordância nominal é o ajuste entre substantivos e palavras relacionadas, como adjetivos, artigos, numerais e pronomes, considerando gênero e número.
Quando o verbo pode concordar com o termo mais próximo?
Quando o sujeito composto aparece depois do verbo, ele pode ficar no plural ou concordar com o sujeito mais próximo, conforme a regra apresentada.
Por que “faz muitos anos” fica no singular?
“Faz muitos anos” fica no singular porque o verbo “fazer” indica tempo transcorrido nessa construção. O sentido temporal determina a forma verbal.
Qual é a forma correta, “o mais pertinentes possíveis” ou “os mais pertinentes possíveis”?
A forma correta é “os mais pertinentes possíveis”, porque o artigo deve concordar com o substantivo masculino plural “apartes”.
