As competências da redação do ENEM são cinco critérios usados para avaliar domínio da escrita, compreensão do tema, argumentação, coesão e intervenção. Segundo o Inep, cada competência pode somar até 200 pontos, formando uma nota máxima de 1.000. O guia sobre a estrutura geral da redação ajuda a organizar o texto, enquanto este recorte mostra o que o corretor procura em cada trecho.
A diferença entre uma redação apenas correta e uma muito bem avaliada aparece nos detalhes. Um conectivo inadequado, uma referência solta ou uma proposta vaga podem derrubar pontos mesmo quando o texto parece bonito. Os exemplos abaixo mostram esses contrastes sem transformar a correção em uma lista de regras decoradas.
O que a banca realmente corrige
A banca avalia a redação dissertativo-argumentativa por cinco competências independentes, embora elas funcionem juntas durante a leitura. O corretor observa a qualidade do texto inteiro e também identifica falhas específicas em cada critério.
Segundo o Inep, a nota considera os seguintes aspectos:
- Competência 1: domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
- Competência 2: compreensão da proposta e desenvolvimento do tema dentro do tipo textual exigido;
- Competência 3: seleção, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e argumentos;
- Competência 4: uso dos mecanismos linguísticos necessários para construir a argumentação;
- Competência 5: elaboração de uma proposta de intervenção relacionada ao problema discutido.
Esses critérios não funcionam como gavetas isoladas. Uma ideia pode ser pertinente ao tema, mas perder força por falta de explicação. Um argumento pode ser bom, mas ficar confuso sem conexões claras. Por isso, cada exemplo precisa ser lido pelo papel que cumpre no texto.
Competência 1 exige controle da escrita
A primeira competência verifica se a redação respeita a norma-padrão, considerando construção de frases, concordância, regência, pontuação, ortografia e escolha vocabular. O corretor não procura uma linguagem artificial, e sim clareza com registro formal.
Considere este trecho que tende a perder pontos:
“A sociedade não dá atenção para o problema, onde muitas pessoas sofrem e acaba piorando a situação.”
Há uma escolha inadequada de “onde”, falta de concordância e uma construção que mistura sujeitos sem controle.
Uma versão mais segura seria:
“A sociedade não dá atenção ao problema, que atinge muitas pessoas e agrava a desigualdade.”
A frase ficou menor, mas também ficou mais precisa. O pronome relativo retoma “problema”, e o verbo “agrava” mantém a estrutura coesa.
O estudante não precisa encher o texto de palavras difíceis. Em muitos casos, trocar uma expressão vaga por um verbo específico resolve mais do que buscar sinônimos sofisticados. O checklist de revisão da redação pode ajudar a localizar esses desvios antes da entrega.

Competência 2 mede leitura do tema
A segunda competência verifica se o texto responde ao recorte proposto e mantém o formato dissertativo-argumentativo. O corretor procura uma discussão sobre o problema completo, não apenas sobre uma palavra destacada no enunciado.
Imagine um tema sobre os desafios para combater a desinformação entre jovens. O trecho
“A tecnologia está presente na vida das pessoas e mudou a forma de comunicação”
apresenta contexto, mas ainda não enfrenta o desafio pedido. Ele poderia aparecer em qualquer redação sobre internet.
Já este início delimita melhor a discussão:
“Embora as redes ampliem o acesso à informação, a circulação de conteúdos falsos entre jovens dificulta decisões responsáveis e exige educação para a leitura crítica.”
O trecho relaciona tecnologia, público afetado, problema e necessidade de enfrentamento.
Fuga parcial também ocorre quando o estudante cita o tema, mas desenvolve outro assunto. Para testar o foco, cada parágrafo deve responder a uma pergunta simples: “Como esta ideia explica o problema proposto?”. O material sobre identificação do comando temático ajuda a fazer essa leitura antes do planejamento.
Competência 3 separa opinião de argumento
A terceira competência avalia se o texto constrói uma linha de raciocínio, usando informações e argumentos pertinentes, organizados de modo progressivo. Uma opinião isolada não sustenta uma tese só porque parece convincente.
Veja um exemplo fraco:
“A escola deve ensinar educação midiática, porque isso é muito importante para todos.”
A frase afirma uma solução, mas não explica o problema, não apresenta causa e não mostra por que a escola seria capaz de agir.
Um trecho mais desenvolvido seria:
“A escola deve trabalhar a leitura crítica de conteúdos digitais, pois estudantes que reconhecem autoria, fonte e evidência conseguem avaliar informações antes de compartilhá-las.”
A proposta agora vem acompanhada de uma relação de causa e efeito.
O argumento ainda precisa conversar com a tese central. Uma referência a Michel Foucault, por exemplo, só ajuda quando explica uma relação de poder, vigilância ou controle ligada ao tema. O artigo sobre tipos de argumento para a redação apresenta caminhos para escolher exemplos que realmente trabalhem a favor da ideia defendida.
Competência 4 observa a ligação entre ideias
A quarta competência examina a coesão, ou seja, a maneira como palavras, frases e parágrafos se conectam para formar um raciocínio contínuo. O corretor não conta conectivos; ele avalia se as relações de sentido estão corretas.
O trecho
“A desinformação cresce nas redes. Portanto, muitos estudantes não verificam fontes. Além disso, a escola precisa agir”
usa conectivos, mas as relações ainda estão pouco explicadas. O primeiro “portanto” sugere uma conclusão que não decorre claramente da frase anterior.
Uma construção mais precisa seria:
“A circulação rápida de conteúdos falsos dificulta a verificação das fontes, o que aumenta a necessidade de a escola ensinar procedimentos de leitura crítica.”
A expressão “o que” retoma a consequência, e a segunda oração mostra por que a escola entra no argumento.
Conectivos de oposição, causa, consequência e conclusão devem corresponder ao sentido pretendido. Para revisar esse ponto, vale consultar o conteúdo sobre conectivos e relações entre ideias, lembrando que variedade sem precisão apenas disfarça o problema.

Competência 5 cobra intervenção detalhada
A quinta competência avalia se a redação apresenta uma proposta de intervenção para o problema discutido, respeitando os direitos humanos. O corretor procura uma ação aplicável, relacionada à argumentação e explicada com elementos suficientes.
Este fechamento é genérico:
“O governo deve criar projetos para resolver o problema, e a sociedade precisa fazer sua parte.”
Não há indicação clara de quem executa cada ação, como ela funciona ou qual resultado pretende alcançar.
Uma formulação mais completa seria:
“O Ministério da Educação deve financiar oficinas de leitura crítica nas escolas, com formação docente e análise semanal de conteúdos digitais, para reduzir o compartilhamento de informações sem fonte entre estudantes.”
O trecho apresenta agente, ação, meio de execução, finalidade e detalhamento.
A proposta precisa nascer do desenvolvimento. Se os parágrafos discutem falta de formação docente, uma campanha genérica nas redes parece desconectada. O passo a passo dos elementos da intervenção ajuda a conferir se a solução responde às causas apresentadas.
Como revisar as cinco competências
A revisão eficiente começa depois de uma pausa curta, porque reler imediatamente costuma esconder erros familiares. O estudante pode fazer duas leituras, cada uma com uma finalidade diferente.
- Leia o tema e a tese: confirme se a introdução responde ao recorte completo e apresenta uma posição clara;
- Confira cada argumento: procure explicação, relação com a tese e progressão entre as ideias;
- Marque as conexões: verifique se os conectivos expressam causa, oposição, consequência ou conclusão corretamente;
- Revise a linguagem: observe concordância, pontuação, regência, repetição excessiva e períodos longos;
- Teste a intervenção: identifique agente, ação, meio, finalidade e detalhamento, sempre ligados ao problema.
Uma correção produtiva não pergunta apenas “qual foi minha nota?”. Ela identifica qual critério derrubou o desempenho e transforma esse achado em uma tarefa de treino. O artigo sobre erros que podem comprometer a redação complementa essa checagem com problemas que exigem atenção imediata.
Para transformar essa análise em prática, fale com o Michigan pelo WhatsApp e conheça nosso método de ensino. Antes de revisar seu próximo texto, use as competências da redação do ENEM como critérios separados, pois essa leitura revela exatamente onde seus pontos estão escapando.
Perguntas frequentes
Quanto vale cada critério da redação?
Cada competência vale até 200 pontos. A soma das cinco notas pode chegar a 1.000 pontos, conforme os critérios de avaliação divulgados pelo Inep.
Um erro gramatical sempre zera a primeira competência?
Um erro isolado não zera automaticamente o critério. A nota considera a frequência e a gravidade dos desvios, além do impacto deles na clareza do texto.
Usar repertório pronto garante uma nota alta?
Não. A referência precisa estar relacionada ao tema, ser explicada e cumprir uma função argumentativa. Citação decorada e solta pode não ajudar na avaliação.
Posso repetir o mesmo conectivo?
É possível repetir uma palavra quando ela for adequada, mas a repetição excessiva empobrece a coesão. O mais importante é expressar corretamente a relação entre as ideias.
O que não pode faltar na intervenção?
A proposta precisa apresentar uma ação relacionadaada ao problema, indicar quem pode executá-la, explicar como ela ocorrerá e mostrar sua finalidade, respeitando os direitos humanos.
Para continuar treinando com foco, o estudante pode combinar essa revisão com o roteiro de estrutura da redação, sem abandonar a análise específica de cada critério.
